Mais uma adaptação das obras de Colleen Hoover chega aos cinemas, oferecendo exatamente o que se espera de um filme baseado em seus textos. Por esse motivo, sei que “Uma Segunda Chance” certamente encontrará seu público. É uma pena que eu não faça parte dele.
O filme narra a trajetória de Kenna (Maika Monroe, de Longlegs, também precisa pagar boleto), que volta à sua cidade natal após cumprir pena por vários anos devido a um acidente que resultou na morte de seu namorado da época, Scotty. Ocorre que ela retorna porque, enquanto esteve encarcerada, deu à luz à filha dele e agora deseja se reconectar com a criança, porém os avós não autorizam. E, nesse contexto, ela começa a se relacionar com Ledger, o melhor amigo de Scotty. Parece até enredo de novela mexicana, não?
E talvez esse seja o cerne da questão: o filme adota sem reservas essa estrutura de novela, repleta de coincidências e dilemas morais em seu ápice. Tudo é excessivamente explicado, declarado e enfatizado, como se o espectador não fosse capaz de simplesmente sentir a cena sem que alguém verbalize claramente o que está acontecendo. Não há espaço para o silêncio, para a ambiguidade ou para qualquer nuance que se desvie desse percurso mais simplificado.

Quando o filme se concentra no drama entre mãe e filha, ele encontra algum fôlego. Não chega a ser uma narrativa particularmente bem construída, mas cumpre o suficiente para estabelecer uma conexão honesta com o público. O problema surge quando a trama insiste no romance com o amigo do falecido namorado: além de causar um certo estranhamento (que, por si só, não seria necessariamente um defeito), tudo se desenvolve de forma apressada e sem qualquer envolvimento, como se faltasse até tesão.
É um filme insosso, sem criatividade e que acompanha um relacionamento chatérrimo; Mas novamente afirmo, vai encontrar o seu público, e fico muito feliz por todos que vão se divertir com esse romance que tem muito de Nicholas Sparks, mas sem o mesmo charme que as adaptações dele costumam ter.

Formado em gestão de turismo & cinema, Jojo (João) é um dos criadores da Toca Cinéfila, e seu filme favorito é “Labirinto do Fauno”.
