“Devoradores de Estrelas” é divertido, bonito e emocionante, alcançando com bons resultados as missões que se propõe realizar. A partir de um início que provoca o espectador a confabular sobre o que pode ter acontecido ao astronauta Grace (Ryan Gosling), que acorda sem memória alguma em uma espaçonave a anos-luz da Terra, o filme se desenvolve em uma aventura espacial que equilibra comédia e drama com excelentes momentos de adrenalina.
Acompanhamos o retorno das memórias de Grace em flashs, que aos poucos começam a tecer detalhes do passado. Conforme descobrimos sobre a morte iminente do Sol e sobre o esforço global para descobrir a causa e solução desse novo fenômeno, aos poucos entendemos melhor o papel de Grace, um professor de ciências do ensino fundamental, em uma missão que representa a esperança final da humanidade.
A grandiosidade do perigo e a escala global da missão provocam constantes pensamentos do que um professor estaria fazendo como único tripulante da missão mais importante da história. A direção de Phil Lord e Christopher Miller entendem o absurdo de sua premissa e trazem bons momentos de humor para balancear o peso dramático dessa ótima história de um outsider por quem é fácil torcer. Nesse sentido, um dos maiores trunfos da dupla é o trabalho com o carisma de Ryan Gosling, que possui química impecável contracenando com qualquer coisa que se mova em tela.

Para além da diversão, os resultados visuais alcançados pelo filme são esplendorosos. O trabalho de design e efeitos visuais das naves, planetas e personagens enchem os olhos no sentido estético e, caso assista em IMAX, preenchem cada centímetro do campo de visão.
Com um perigo tão concreto, cada pequena vitória de Grace no espaço é revigorante, injetando adrenalina e esperança na trama. Balanceando a esperança, destaco a personagem Eva (Sandra Huller), que coloca os pés da trama no chão e equilibra o expansionismo de Ryan Gosling com uma atuação mais contida e melancólica, que abrilhanta uma das cenas mais bonitas do filme, ao som de Harry Styles.
Por fim, como não poderia deixar de ser, é preciso destacar o personagem Rocky (James Ortiz). Curiosamente, Rocky talvez seja o personagem que traz maior humanidade à trama, pois é a partir da sua descoberta dos costumes, hábitos e falhas humanas que somos levados a revisitar com olhos de encantamento os detalhes de nossa vida comum que passam despercebidos na rotina segura que vivemos. É fascinante acompanhar a relação de Rocky com Grace, uma amizade que leva para a tela um encontro de almas que supera diferenças culturais, valorizando semelhanças e diferenças e garantindo interações divertidas, bonitas e emocionantes.

Casado com o Direito, amante da Arte. Nascido no Rio de Janeiro e, portanto, flamenguista, André é um dos fundadores da Toca Cinéfila. Fala, fala, fala, e vez ou outra alguém escuta.
