A Pequena amélie (2025) Como você lida com crescer?

A Pequena Amélie acompanha os três primeiros anos de vida de uma menina belga que cresceu no Japão. O filme mostra suas primeiras descobertas: as palavras, os sabores e também a dor. É uma história bonita sobre o momento em que deixamos de achar que o mundo gira ao nosso redor e começamos a entender o que é ser humano. A ideia central é que a consciência não nasce pronta, mas se forma aos poucos, a partir das sensações e experiências que vivemos desde muito cedo.

A infância é tratada aqui como um período cheio de atividade interior. Mesmo sem falar ou agir muito, a criança observa, sente e aprende o tempo todo. O filme mostra esses primeiros anos não como algo vazio ou parado, mas como uma fase importante na construção da personalidade.

A história se passa no Japão de 1969, onde uma família belga vive cercada por costumes diferentes. O nascimento/vida de Amélie surpreende a todos, pois, durante dois anos, a menina quase não reage a nada. Ela parece apenas observar o mundo em silêncio, como se ainda estivesse decidindo se quer fazer parte dele. Isso cria um clima de mistério, dando a sensação de que sua mente funciona de um jeito diferente da dos adultos. Mas tudo muda quando Amélie prova chocolate branco e finalmente começa a interagir com o mundo. A partir daí, vemos uma criança cheia de energia, curiosidade e imaginação. Cada nova experiência – como sentir a chuva ou provar um alimento novo – se torna algo enorme e marcante para ela.

Quando Amélie finalmente “desperta” para a interação, após comer um chocolate branco, o que vemos é uma explosão de vivacidade e uma imaginação sem limites que desafia a lógica cotidiana e uma abordagem que poderia parecer mais realista. A transição da imobilidade para a ação é acompanhada por uma sede insaciável de experiências, transformando cada elemento do ambiente – desde o toque da chuva até o sabor de novos alimentos – em um evento único e gigantesco para ela. 

A animação em 2D ajuda muito a contar essa história. O desenho feito à mão e as texturas “mais simples” trazem um calor especial ao filme, combinando com o jeito sensível da protagonista. As cores claras e suaves lembram paisagens do Japão e criam uma atmosfera que mistura realidade com a imaginação infantil.

Os olhos de Amélie chamam bastante atenção. Eles são verdes e expressivos, e ajudam o público a se conectar com o que ela sente. O uso frequente da cor verde reforça ideias como crescimento, vida e curiosidade, mostrando como o olhar da menina transforma coisas comuns em algo cheio de significado.

Os momentos mais bonitos da história envolvem sempre a relação entre Amélie e sua cuidadora, Nishio-San. O cuidado inicial se transforma em uma amizade verdadeira. Nishio-San é quem melhor entende a menina, aceita suas diferenças e oferece apoio em momentos difíceis, preenchendo espaços que a própria família não consegue alcançar.

No final, A Pequena Amélie se mostra um filme sobre a força das crianças e sua capacidade de encontrar beleza mesmo em momentos tristes. Ao falar de memória, perda e crescimento, a história lembra que amadurecer é aprender a equilibrar sonhos e realidade. Mesmo quando aborda temas mais sérios, o filme mantém a delicadeza de sua protagonista e deixa a mensagem de que sempre é possível encontrar luz e imaginação, mesmo em meio ao caos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *