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SINOPSE: Denji vive como o temido Homem-Motosserra, um jovem com coração de demônio que integra a Divisão Especial 4 de Caçadores de Demônios. Depois de um encontro marcante com Makima, a mulher de seus sonhos, ele busca refúgio da chuva e acaba conhecendo Reze, a misteriosa atendente de um café.

Assistir “Chainsaw Man: O Arco de Reze“, sem ter visto sequer um episódio do anime (mas tendo uma ideia básica), foi uma experiência muito curiosa, no bom sentido. O filme, que adapta o que descobri ser um dos arcos mais importantes da história, joga o público em um mundo que, à primeira vista, parecia um pouco diferente do que o título sugeria. A motosserra no nome não me preparou para o quão humano e, surpreendentemente, charmoso este universo poderia ser.

O que me fisgou logo de cara foi a forma como o filme se desenrolava como uma “comédia romântica” despretensiosa. O Denji, esse garoto com desejos tão simples, como o de ter um encontro normal, alguém que o ame, encontra a Reze sob a chuva. E ali, na cabine telefônica, o filme se transforma. A doçura e a química entre eles eram tão genuínas que eu, que esperava apenas sangue e tripas, me peguei torcendo por aquele romance (mesmo que ele fosse já apaixonado por outra garota, o que gera momentos muito engraçados). As interações, as tentativas desajeitadas de flerte, o desejo inserido na cabeça de Denji por uma vida escolar normal — tudo era engraçado e surpreendentemente tocante.

Essa fase inicial, com toda a sua leveza, é o que torna a parte subsequente tão eficaz. As cenas no café, o aprendizado sobre o que significa ir à escola e o desejo de Denji por uma vida sem monstros criam um contraste absurdo com o que Chainsaw Man realmente se mostraria a ser. Eu ri com o humor simplório e as piadas cruas de Denji, que são sempre acompanhadas por um corte rápido que dão um toque “engraçado” até mesmo aos momentos mais existenciais que o filme consegue apresentar. Eu estava assistindo a uma história de amor, e era adorável.

Mas então, essa primeira jornada tão charmosa se quebra, como se fosse um prato caindo no chão de forma brusca. A revelação da verdadeira identidade de Reze (o que não é um spoiler) transforma o filme em pura ação frenética e sem interrupções. O que antes era romance se torna uma perseguição brutal, e o filme pisa no acelerador da violência. A forma como a narrativa muda de tom, de maneira abrupta e violenta, é chocante. A doçura de Reze se transforma em um terror explosivo, e a escala da carnificina me fez esquecer a comédia romântica em segundos.

Foi neste momento que a MAPPA (estúdio de animação japonês responsável pelo anime) entregou uma “pirotecnia visual” de cair o queixo. Os confrontos são absurdamente bem animados, e mesmo que por vezes fique tudo meio confuso com a explosão de cores, a fluidez da luta, a escala das explosões (que fazem jus ao título de Demônio Bomba) e o design dos ataques são como pinturas em movimento. Estava super entretido com à forma como o Chainsaw Man e a Reze colidiam, é uma batalha de grande escala, o que talvez justifique a escolha por adaptar este arco em formato de filme. E mesmo que em termos narrativos essa parte de batalha seja menos interessante que a primeira, ainda é muito notável o grande cuidado que tiveram para animar todas as cenas de ação.

Mesmo em meio a todo o caos e destruição, o filme ainda consegue manter um elemento “engraçado”, um certo humor melancólico o tempo todo. O Denji, é um protagonista que serve também como alívio cômico, o que evita que a seriedade da violência se torne insuportável. A ironia da situação, onde ele é “traído” em sua busca mais pura por felicidade, é a alma do humor mórbido do filme, algo que me fez rir e, ao mesmo tempo, sentir pena dele.

Gosto muito da forma como essa história usa o clichê do primeiro amor para desmantelar o protagonista. Somos apresentados a idéia de que Denji possa florescer e, em seguida, ser esmagado sob uma chuva de fragmentos explosivos. Admiro muito como se trata de um filme sem piedade com o espectador, e isso é um grande mérito.

Ao final, há algo de profundamente triste no modo como tudo se encerra. A própria Reze se pergunta por que não matou Denji logo de cara, e essa dúvida, simples à primeira vista, carrega um peso enorme: É sobre o conflito entre instinto e o afeto, entre o dever e o desejo de ser apenas humana por um instante. É nesse questionamento que o filme mostra que por trás das explosões e da violência, há dois personagens que, por um breve momento, sonharam com uma vida impossível. O vínculo entre eles é tão frágil e sincero que até o espectador se pega torcendo para que algo mude, mesmo sabendo que não vai. É uma melancolia que fica ecoando depois dos créditos, uma tristeza bonita, quase romântica, que dá ao caos de Chainsaw Man um toque inesperadamente humano.

Saí da sala com a sensação de ter visto dois filmes distintos, mas perfeitamente entrelaçados. O romance amplifica o impacto da virada, e a tragédia final reforça o quanto Chainsaw Man entende a beleza do caos. Mesmo sem conhecer o anime, fiquei completamente fisgado por esse universo, que é tão brutal quanto bonito.

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