Sinopse: Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul é sobre Tainá, que, ao lado da sábia Mestra Aí, treina para ser a Guardiã da Amazônia, mas perde a mística Flecha Azul, um amuleto que guia os protetores da floresta, embarcando com seus amigos Catu, Pepe e Suri em uma aventura para recuperá-la e impedir que o mal de Jurupari destrua tudo, aprendendo sobre amizade e trabalho em equipe.

Assim como muitas pessoas que nasceram no começo dos anos 2000, cresci tendo algum contato com o filme Tainá- Uma Aventura na Amazônia, então existe em mim uma memória afetiva com a personagem, e foi só após o convite para este novo filme, que descobri existir uma versão em desenho animado da personagem que deve funcionar melhor com as crianças de hoje em dia. Adaptado então deste desenho, “A Busca pela Flecha Azul” acaba se mostrando um filme bem competente, e é sempre gratificante poder prestigiar uma animação brasileira nos cinemas.
Com a missão de se tornar a nova guardiã da Amazônia, Tainá precisa enfrentar o terrível vilão Jurupari – uma ameaça à floresta – e recuperar a flecha azul, a qual pertence a sua mestra e ela perdeu. É uma aventura super simples, com números musicais bem divertidos e um interessante uso do Agro como vilão (inclusive eles utilizam o “Agro é pop” e isso é uma alfinetada de se tirar o chapéu).
Gosto da dinâmica entre Tainá e os outros bichos, mesmo que o humor, principalmente envolvendo o macaquinho, entre naquela zona de tentar ser super atual e descolado, mas na verdade é bem chatinho. No entanto, essa tentativa de modernizar a linguagem não chega a comprometer a mensagem principal do longa ou atrapalhar muito a experiência.

Mas o que realmente brilha em “A Busca pela Flecha Azul” é a qualidade técnica da animação. Longe de buscar algum tipo de realismo ou um estilo mais padrão da indústria, o trabalho de cores, a fluidez dos movimentos e o design de personagens são todos admiráveis. A floresta Amazônica é apresentada com um visual super colorido e respeitoso, tornando-se quase uma personagem por si só. Há um cuidado evidente principalmente nos números musicais, que são mais elaborados que a animação presente na maior parte da narrativa (ser mais simples não é demérito, vale sempre lembrar. Mas certamente ver a nossa fauna e flora retratadas com esse nível de carinho é um verdadeiro presente.
Um dos pontos mais fortes da produção é, sem dúvida, a simplicidade e clareza da sua mensagem ecológica. O filme não tenta ser complexo demais; ele é direto ao discutir a importância da preservação, do conhecimento ancestral e da união contra aqueles que exploram o meio ambiente. Para o público infantil, essa abordagem didática é fundamental. Além disso, a representação de Tainá como uma protagonista forte, indígena e consciente de seu legado cultural oferece um excelente modelo para as crianças se inspirarem. É um filme que educa e entretém na mesma medida, sem ser excessivamente panfletário.
É um filme isento de problemas? Não, como mencionei, o humor nem sempre funciona e é tudo muito corrido, mas acho uma ótima opção de filme para as férias da criançada caso queiram levar as crianças ao cinema e tentar fugir um pouco do óbvio com o sucesso Zootopia 2.

Formado em gestão de turismo & cinema, Jojo (João) é um dos criadores da Toca Cinéfila, e seu filme favorito é “Labirinto do Fauno”.