Dizem que gosto não se discute, mas certas decisões criativas são realmente difíceis de defender. Esta lista não é um comando para você passar longe desses filmes – pelo contrário, sinta-se à vontade para assistir tirar suas próprias conclusões, existe valor em todo filme – mas sim uma espécie de desabafo sobre obras que me marcaram pela experiência negativa que me propuseram. Estes são os 10 filmes que ganharam, sem muito esforço, o selo de piores experiências cinematográficas do meu ano!
Lembrando que é uma lista individual, sinta-se livre para compartilhar a sua!
10- Lilo & Stitch
É triste ver uma das mensagens mais bonitas do cinema ser diluída em prol de uma fórmula vazia. Este remake de Lilo & Stitch é o exemplo perfeito de como a falta de vida pode arruinar uma história poderosa. A ideia de família – a nossa querida Ohana – foi substituída por uma visão egoísta que parece exaltar o sucesso individual em vez da união, tudo pelo dito sonho americano. Se ‘família quer dizer nunca abandonar ou esquecer’, a Disney parece ter esquecido o que tornava o filme original especial. Péssimo.

9- Casa de Dinamite
É difícil acreditar que a mesma diretora de Caçadores de Emoção assina este desastre de ritmo chamado Casa de Dinamite. O filme começa bem, estabelecendo uma tensão real, para logo em seguida se autossabotar. A escolha de recontar a mesma história sob diferentes perspectivas soa menos como um recurso narrativo e mais como uma tática para ‘encher linguiça’, já que nada de novo é apresentado. O filme martela o óbvio até esgotar a paciência do espectador, entregando um final tão insosso que faz todo o esforço anterior parecer uma perda de tempo total.

8-Alto Knights:Máfia e Poder
Robert De Niro em dose dupla em um filme de máfia parece a receita para o sucesso, mas o resultado é um desastre absoluto. Alto Knights consegue a proeza de parecer uma versão de máfia de ‘Cada Um Tem a Gêmea que Merece’ do Adam Sandler, só que desprovido de qualquer humor (mesmo que involuntário). O problema é que o filme se leva a sério demais, tentando vender uma história previsível e sem brilho como se fosse um novo clássico. Ver um mestre do gênero preso a um filme tão desinteressante é, no mínimo, melancólico.

7- Morra, Amor
Não há nada pior do que o potencial jogado no lixo. Morra, Amor ostenta nomes de peso na frente e atrás das câmeras, mas entrega uma experiência monótona e repetitiva. O filme age como um instrumento desafinado de uma nota só: ele martela a mesma ideia incessantemente até esgotar o interesse de quem assiste. Com um roteiro que soa infantil diante da maturidade que o tema exigia, nem o carisma de J-Law ou o talento de Pattinson impedem o caos que é este filme.

6- A Morte de um Unicórnio
O que era para ser uma premissa original e provocativa se transforma em uma experiência sem graça e arrastada. Jenna Ortega e Paul Rudd estão no automático, visivelmente desconfortáveis com um texto que não sabe se quer fazer rir ou assustar. A Morte de um Unicórnio se escora totalmente no selo da A24 para tentar esconder sua falta de substância, mas a verdade é que o filme é um amontoado de momentos que não levam a lugar nenhum, impossível lembrar deste filme uma semana depois de se ter assistido. Um desperdício de talento e de tempo que testa a paciência até do fã mais fiel da produtora com o suposto “toque de ouro” (sei…).

5- Uma Advogada Brilhante
Quem diria que ver Leandro Hassum fingindo ser mulher para manter o emprego conseguiria ser uma experiência menos problemática que Emília Perez? Mas a questão social, por incrível que pareça, não é um dos problemas aqui.
O filme é uma verdadeira tortura cinematográfica, empilhando piadas de ‘quinta série’ que não arrancariam um sorriso nem do espectador mais benevolente. Ver um ator que considero talentoso como Hassum em um piloto automático tão preguiçoso é deprimente. É uma sucessão de sacadas horríveis que parecem subestimar a inteligência do público do início ao fim, a comédia mais besta do ano.

4- Branca de Neve
Branca de Neve foi a maior tragédia anunciada do ano. De seu anúncio às polêmicas de Rachel Zegler ou as falas de Peter Dinklage contra pessoas com nanismo na produção (o que tirou os 7 anões do filme que foram substituídos por personagens inteiramente de CGI), tudo indicava um desastre, mas o resultado final conseguiu ser pior. A escalação de Gal Gadot como Rainha Má é um erro para ficar registrado nos livros de história: além da atuação engessada, suas cenas musicais são um atentado aos ouvidos – tive medo genuíno de que os vidros de casa quebrassem com tamanha desafinação. O filme exala uma pobreza visual assustadora para o padrão Disney, com cenários precários, CGI medonho e um figurino que parece saído de uma loja de fantasias baratas. Para completar, o romance com um ‘Robin Hood’ genérico tem menos vida que um defunto. Uma vergonha absoluta.

3- Rua do Medo: Rainha do Baile
Parece que a Netflix resolveu testar a paciência do espectador. Ver uma batalha de dança em As Branquelas é ótimo, mas aqui em Rua do Medo: Rainha do Baile chegou a me causar dor física de tanto constrangimento. Trocaram a direção da boa Leigh Janiak responsável pelos 3 primeiros filmes por Matt Palmer e o resultado é um filme sem alma, puramente de algoritmo. Tudo é feio: a ambientação de época não convence, os personagens são insuportáveis e o assassino tem um visual deprimente. Para fechar com chave de ouro, o plot twist é de uma vergonha alheia sem tamanho. Só não é o pior filme do ano porque os dois primeiros lugares da lista se esforçaram muito para passar desse nível de ruindade.

2- O Ritual
O que acontece quando tentam misturar o estilo de The Office com Al Pacino e um exorcismo sério? O desastre chamado O Ritual. É mais um filme de gênero que não acrescenta nada e ainda falha no básico. A câmera trêmula e o roteiro sem sentido fazem parecer um filme amador, completamente perdido na própria realidade. O nível de desleixo é tão grande que chega a ser engraçado: em uma cena a possuída arranca o cabelo de uma freira e, logo depois, a falha no cabelo aparece em um lugar totalmente diferente. Se esse filme empregou um continuísta, ele certamente não apareceu para trabalhar. Uma tortura que eu não recomendo nem para o meu pior inimigo.

1- Guerra dos Mundos
O campeão absoluto do ano consegue a proeza de ser pior que Cats e The Room juntos. Em Guerra dos Mundos, o Ice Cube passa duas horas olhando para uma tela de computador com cara de quem esqueceu o feijão no fogo enquanto o mundo acaba. É uma experiência tão nula que eu listei coisas mais úteis para fazer com essas duas horas: Encontrar o amor, ir ao parque, fazer um bolo, aprender a plantar bananeira, fazer uma faxina, aprender a andar de bicicleta ou só assistir Shrek de novo. Qualquer coisa seria melhor. O filme é um (anti) comercial gigante da Amazon, com efeitos visuais nível PS1 e uma trama que não faz o menor sentido. Ice Cube, você não precisava disso! É uma pataquada sem precedentes que ganha, com folga, o título de pior experiência cinematográfica do meu ano.


Formado em gestão de turismo & cinema, Jojo (João) é um dos criadores da Toca Cinéfila, e seu filme favorito é “Labirinto do Fauno”.