É sempre muito agradável ver grandes atores reunidos no mesmo projeto, e esse é o principal atrativo de “Velhos Bandidos”, um filme que tenta ser uma comédia de assalto ao mesmo tempo que não consegue causar no espectador uma risada genuína. O que resta são pequenos sorrisos ao perceber o quanto o elenco claramente estava se divertindo, especialmente Fernanda Montenegro, naquele que deve ser o último papel de sua carreira no cinema.
Existe algo de muito bonito em seu último trabalho ser feito repleto de amigos que fez ao longo da carreira, e ainda sendo dirigido pelo seu filho, Cláudio Torres. A trama em si é simples : Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura) são um casal de aposentados que planeja um ousado assalto a banco, mas para que o roubo seja perfeito, precisam recrutar um casal de jovens assaltantes – Nancy e Sid, vividos por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta. Atravessando o caminho de todos está o obstinado investigador Oswaldo, interpretado por Lázaro Ramos.
Cláudio Torres dirige com competência técnica, mesmo que sem grandes ambições estéticas, ele parece estar na busca por um mix de cinema clássico brasileiro com o engajamento estilístico americano. O resultado é um filme que parece querer agradar a todos ao mesmo tempo – e, ao tentar isso, acaba não sendo profundo o suficiente para ninguém, ainda assim existe muito para se apreciar. Há momentos em que a câmera parece mais interessada em registrar o prazer dos atores do que em contar uma história de verdade, acontece que os atores são tão bons que funciona, ser um filme de 1h30 certamente ajuda nisso, pois passa voando.

A mensagem do filme é bem clara: os mais velhos ainda têm muito a dar, e subestimá-los é um erro. Velhos Bandidos pretende constituir uma ode à idade avançada, mostrando que cidadãos desta faixa etária ainda podem fazer planos, dar golpes e surpreender. É uma ideia legal, mas o filme a entrega de forma tão óbvia que perde o impacto. O espectador entende a lição e o que vai acontecer antes mesmo do final de qualquer frase.
No fim, “Velhos Bandidos” é exatamente o que promete ser: entretenimento despretensioso, embalado por um elenco que vale o ingresso. Em uma coletiva de imprensa recente do filme, Fernanda Montenegro resumiu o projeto com uma frase que diz mais do que qualquer cena do filme: “É um momento especial da minha vida. Chega um momento na vida que você não tem mais futuro, só tem o presente.” E o filme em si não deixa de ser um presente para o público, e certamente foi para ela. Imperfeito, barulhento, mas genuíno.

Formado em gestão de turismo & cinema, Jojo (João) é um dos criadores da Toca Cinéfila, e seu filme favorito é “Labirinto do Fauno”.