Você precisa crescer- Nostalgia é um problema?

Com o trailer da série de Harry Potter sendo liberado na internet, muitas polêmicas voltam a entrar em evidência. Especialmente se ficar retornando constantemente a algum tipo de nostalgia é uma recusa a crescer, e é sobre isso que quero falar hoje, sem falar diretamente sobre produção alguma.

Durante a vida, especialmente na infância e na adolescência, nós moldamos muito da personalidade e de gostos que temos na vida, que naturalmente conforme crescemos, vão se transformando. Mudar, crescer e evoluir é algo natural e saudável, mesmo que pareça assustar quando estamos entrando na vida adulta. E é muito natural também que nós venhamos a levar memórias e partes da nossa infância conosco conforme crescemos. Eu guardo um carinho imenso por cada produção que me marcou nessa época e que me marcam até hoje, como Shrek, Scooby-Doo, Super Onze, entre outros.

O especial recente de 20 anos de Hannah Montana fala justamente sobre isso: não se apegar ao passado, mas entender que ele faz parte do que nos molda, e essa distinção é mais difícil de fazer do que parece. Mas ao mesmo tempo, é necessário entender que nós crescemos, e que consumir o mesmo de sempre pode, em alguns momentos, ser uma fuga do presente.

Isso não é necessariamente um problema. A nostalgia tem uma função legítima – ela nos reconecta com partes de nós mesmos que às vezes ficam esquecidas por conta do ritmo da vida adulta. Revisitar algo que amamos na infância pode ser reconfortante, pode ser uma pausa necessária, pode até ser uma forma de entender quem somos hoje a partir de quem fomos. O problema não está em sentir nostalgia, mas em se instalar nela como se fosse um lar permanente.

Existe uma diferença importante entre carregar o passado com carinho e se recusar a sair dele. Quando o lançamento de qualquer reboot, remake ou continuação de uma franquia antiga se torna automaticamente um evento que mexe tanto com emocional, vale a pena perguntar: estou empolgado com essa obra, ou estou empolgado com a versão de mim que existia quando a original me tocou? Não há resposta errada, mas a pergunta em si já diz muito. A saudade muitas vezes não é do produto em si, mas de uma época da vida que não volta – e nenhum trailer muda isso.

O equilíbrio, então, talvez esteja em honrar o que nos formou sem deixar que isso nos paralise. É possível amar profundamente algo da infância e, ao mesmo tempo, estar aberto para o que o presente tem a oferecer – inclusive obras novas, perspectivas novas, referências que ainda nem descobrimos. A infância nos deu uma base, não um teto. E crescer não significa abandonar o que nos constituiu, mas sim não deixar que ele seja a única régua com a qual medimos o mundo.

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