Da Magia À Sedução: Feitiço do Amor (2026) Crítica- As Owens estão de Volta

Confesso que não sou muito fã do primeiro Da Magia à Sedução. Talvez por isso tenha ido assistir a sequência sem esperar muita coisa, mas acabei encontrando uma surpresa positiva. Da Magia à Sedução: Feitiço do Amor está longe de ser um grande filme, mas curiosamente conseguiu me conectar bem mais com suas personagens e com o desenvolvimento da história do que o original.

A história se passa décadas depois do primeiro filme e acompanha novamente as irmãs Sally e Gillian Owens, novamente tendo que lidar com as consequências da maldição que acompanha a família. Sally, depois de mais uma perda, tenta manter suas filhas afastadas da magia, mas Kylie, interpretada por Joey King, acaba se envolvendo justamente com esse passado que a mãe tentou esconder. A partir daí, as Owens precisam lidar novamente com a magia, com a maldição e com os segredos ainda não revelados da própria família, parece meio batido, e é mesmo, mas não chega a incomodar.

É uma premissa que funciona bem para uma continuação porque permite passar o bastão para uma nova geração sem simplesmente abandonar Sally e Gillian. O problema é que o filme parece constantemente prometer mais do que consegue entregar. Algumas tramas são apresentadas como se fossem ganhar uma importância enorme, mas acabam ficando pelo caminho. A de Joey King é provavelmente o melhor exemplo: existe uma direção bastante clara no começo envolvendo um lado sombrio da magia, que parece levar a personagem para um lugar muito mais interessante, mas o filme nunca chega realmente perto de desenvolver tudo aquilo.

Mesmo assim, dessa vez consegui me conectar mais com as personagens. Aqui a diretora tenta construir relações diferentes entre essas mulheres, o primeiro era muito sobre irmandade e aqui soa como um discurso mais amplo. Não acho que tudo funcione, mas existe uma dinâmica familiar que me interessou mais do que no primeiro filme.

Também acho interessante a escolha de Susanne Bier para a direção. É uma mudança significativa em relação a Griffin Dunne, principalmente por trazer uma mulher para comandar uma história tão centrada em personagens femininas. Bier vem de um cinema muito mais ligado a dramas familiares e relações humanas do que propriamente à fantasia (salvo casos como seu maior hit Bird Box, que também tem Bullock no elenco), e isso aparece aqui na maneira como o filme tenta colocar os conflitos emocionais das personagens no mesmo nível da parte sobrenatural. Não acho que ela faça uma grande reinvenção visual de Da Magia à Sedução, mas a escolha faz sentido dentro da proposta de olhar para essa família e para essas mulheres quase três décadas depois.

O elenco também está bem. Sandra Bullock continua sendo o principal ponto de equilíbrio da história, enquanto Nicole Kidman acaba tendo bem menos destaque do que eu esperava. Maisie Williams também aparece pouco, o que é uma pena porque sua personagem poderia ter sido mais explorada. Por outro lado, Lee Pace e Xolo Maridueña são ótimas adições e conseguem trazer uma energia nova para a história.

E é muito bom rever Dianne Wiest e Stockard Channing como Jet e Frances. As duas possuem presenças que funcionam como uma espécie de abraço aos fãs do original. Existe uma familiaridade muito boa em vê-las novamente nesses papéis, ainda mais a vontade do que antes com esse mundo de magia.

Um ponto muito curioso e que não posso dizer que me agrada é a trilha sonora, na tentativa de tornar tudo muito atual, sinto certa desconexão de cenas com certas escolhas musicais. Tem um momento por exemplo que toca Olivia Rodrigo e eu fiquei mais constrangido do que imerso naquele mundo (fica o registro que amo a Olivia, mas não deu).

No fim, Da Magia à Sedução 2 continua sendo uma sequência que acho que promete mais do que entrega. Tem ideias melhores do que a execução, algumas personagens são subaproveitadas e certas histórias parecem estar sempre prestes a chegar em algum lugar que nunca chega. Mas, para alguém que não gostou tanto do primeiro filme, foi uma surpresa conseguir me envolver mais aqui.

Não é uma continuação que muda minha visão sobre a franquia, nem chega perto de ser um grande filme de fantasia. Mas entre a nova geração, algumas boas adições ao elenco, o retorno de personagens que gosto e uma história que me conectou mais emocionalmente, Da Magia à Sedução 2 acabou sendo bem mais agradável do que eu esperava.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *